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MORTE SUBITA NAS EPILEPSIAS (SUDEP)

 

Fulvio A. Scorza & Esper A. Cavalheiro

Disciplina de Neurociência. Escola Paulista de Medicina/Universidade Federal de São Paulo. (EPM/UNIFESP). São Paulo, Brasil.

 

Corresponding author:

Dr. Fulvio A. Scorza

Rua Pedro de Toledo, 669 – 10 andar.

CEP: 04039-032

São Paulo – SP. Brasil

Phone: + 55-11- 5576 4848 – extension: 2829

E-mail: scorza@unifesp.br

  

A morte súbita nas epilepsias (SUDEP) foi “esquecida” tanto pelos médicos, pela ciência e pelas organizações que apóiam indivíduos com epilepsia até o final da década de 1990. Porém, nos últimos anos, os profissionais da saúde que trabalham com epilepsia têm reconhecido a importância da SUDEP, o que refletiu no crescimento exponencial no número de artigos científicos publicados sobre o assunto, com um aumento triplicado nesta produção nos últimos dez anos (1). Nesse panorama, uma série de questionamentos em relação ao porquê, como e onde do fenômeno da SUDEP têm sido levantados pelos pacientes e seus familiares.

O QUE – Didaticamente, SUDEP é definida como um óbito que deve ocorrer de maneira não traumática, sem afogamento, pode ter ou não relatos de crise, excetuando-se status epilepticus, e os exames realizados após a morte não podem revelar causas anatômicas ou toxicológicas para a morte. QUANDO – SUDEP é uma das principais causas de morte entre as pessoas com epilepsia. De forma geral, a SUDEP é responsável por aproximadamente 17% de todas as mortes em epilepsia e apresenta uma taxa anual de incidência entre adultos de 1: 1.000 pacientes, enquanto em crianças varia em média de 0,2/1.000 por ano. POR QUE –

Diversos fatores de risco podem contribuir para a ocorrência da SUDEP, mas o mais importante é a presença e o número de crises epilépticas, principalmente as crises tonico-clônicas generalizadas (CTCG). Além disso, outros fatores de risco podem ser considerados: crises noturnas, idade de início precoce da epilepsia (antes dos 16 anos), longa duração da epilepsia (mais de 15 anos), mudança freqüente da medicação antiepiléptica. COMO – Os mecanismos fisiopatológicos responsáveis pela ocorrência da SUDEP permanecem desconhecidos. Embora a causa ou as causas da SUDEP ainda sejam um mistério, os estudam recentes demonstram que anormalidades respiratórias e/ou cardiovasculares durante ou imediatamente após as crises epilépticas estejam diretamente relacionadas com a ocorrência da SUDEP. COMO PREVENIR – Ainda não existe uma maneira eficaz para evitar a SUDEP. O controle das crises epilépticas, principalmente as CTGC, é a melhor estratégia para prevenir SUDEP. Além disso, outras medidas também podem ser úteis: reduzir o estresse, prática de atividade física (com supervisão de um profissional habilitado), não consumir bebida alcoólica, ter uma boa qualidade de sono, ter o hábito de consumir uma dieta rica em ômega-3.

Os neurocientistas e as organizações de epilepsia buscam, em conjunto, estratégias eficazes para reduzir a taxas de mortalidade em epilepsia, incluindo SUDEP. Finalmente, o médico e sua equipe multidisciplinar tem um papel fundamental na educação, não somente para garantir de maneira precisa a informação sobre a epilepsia, mas também para tentar minimizar os fatores de risco associados a SUDEP.

 

Leitura Recomendada

Scorza FA, do Carmo AC, Scorza CA, et al. SUDEP: A steep increase in publication since its definition. Epilepsy Behav 2017;72:195-197.

Harden C, Tomson T, Gloss D, et al. Practice guideline summary: Sudden unexpected death in epilepsy incidence rates and risk factors: Report of the Guideline Development, Dissemination, and Implementation Subcommittee of the American Academy of Neurology and the American Epilepsy Society. Neurology 2017;88:1674-1680.

Devinsky O, Hesdorffer DC, Thurman DJ, et al. Sudden unexpected death in epilepsy: epidemiology, mechanisms, and prevention. Lancet Neurol 2016;15:1075-88.

Shankar R, Donner EJ, McLean B, et al. Sudden unexpected death in epilepsy (SUDEP): what every neurologist should know. Epileptic Disord 2017;19:1-9.

Nashef L, Leach JP. SUDEP, the aftermath: supporting the bereaved. Pract Neurol. 2017 (in press) doi: 10.1136/practneurol-2017-001729

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